A Música e a Guerra

 

 

Contemplei o universo.

Cansado, fechei os olhos.

Senti que o mundo mudava.

Sons diferentes enchiam o firmamento.

Imagens disformes e longas

Dominavam o ambiente.

 

Donzelos agitados e inconseqüentes

Faziam voltas em torno de si.

Agiam como terremotos,

Crescendo sempre em ondas.

Suas mentes pareciam evoluir.

Seus gestos eram agitados.

Tinham ímpetos violentos.

Queriam, no horizonte,

descobrir novas idéias.

A orgia já era intensa.

 

O que de novo ocorre,

E assim, tão de repente?

 

Os sons ficaram mais fortes,

e aumentavam sempre.

Notas ferinas aproximavam-se,

atormentando os movimentos.

As pessoas ameaçavam-se,

digladiavam-se.

A vida atormentava-se.

 

Eram ondas novas sensibilizando.

 

A cada nota flautada,

Os braços, no ar, agitavam-se.

Olhares tensos e violentos

Acreditavam e nunca descriam.

Os dedos hirtos apontavam p'ro infinito,

E não imperava a dúvida.

Com as pernas retesadas e fortes,

passadas firmes e longas,

olhares penetrantes,

Volviam rápidos e empedernidos.

 

Agiam como que por instintos.

 

No ar imperava uma harmonia,

Que a todos sensibilizava.

O horizonte e o firmamento

estavam ao alcance das mãos.

 

Eu posso tudo! Exclama alguém.

Eu vou em frente. Diz outro.

Eu quero! Logo posso! Ouve-se.

Eu sou super-homem! Ecoa uma voz.

 

Ali, todos os ímpetos eram de mudança.

Quem for especial num instante

alcançará seus sonhos.

 

Os sons já dominavam.

Todos ouviam. Os olhos ferviam.

Os sonhos eram uma realidade.

Todos queriam ser um super.

 

A melodia já era contagiante.

Agora ninguém falava,

 nem mesmo fazia ruídos,

Mas todos tinham desejos.

 

O mundo doravante será outro.

Todos pensarão diferente.

 

A guerra dominará os sentidos,

Ela será de todos.

Só o firmamento sofrerá.

 

Gendarmes se sobressairão.

Um desejo de poder assomará.

 

Parei. Olhei. Ouvi. Pensei.

Estático, imaginei, estou prenhe.

-Uma força incontida apoderou-se de mim. -

A melodia então me dominava,

E um medo incomum me gelava.

 

Quando abri os olhos.

Era Wagner que tocava.

A guerra era uma realidade.

Com ela o mundo mudaria,

E nunca mais seria o mesmo.

 

Hércules/1999